segunda-feira, 23 de abril de 2018

Dias de liberdade


É um post estranho a uma segunda-feira. Mas chegaram o sol, as temperaturas positivas, a sensação de liberdade por poder agarrar na mala e nas chaves de casa e sair sem ter de pensar nas luvas e no cachecol. Chegou a época em que, em vez de fazer pausa para o café no trabalho, vou dar uma volta ao lago que há pertinho do escritório e apanho luz e sol. Chegaram os dias compridos em que pelas 05:00 já é de dia e só anoitece bastante tarde. Chegou a época das sandálias e sapatos giros, sem ter de evitar as pedrinhas anti-derrapantes que o município espalha pelas ruas no Inverno e que deixam o calçado uma lástima. Chegou a época de comprar morangos a preços exorbitantes, a época dos gelados e dos churrascos. Chegou a época de ler livros e beber café na marquise.


E em breve chega também a visita dos meus pais e as cerejeiras em flor em Kungsträdgården, paragem obrigatória todos os anos. A grande vantagem de viver perto do círculo polar é que cada hora de sol é uma hora de ouro. 


sexta-feira, 23 de março de 2018

E estava-se tão bem em Portugal


As minhas visitas a Portugal são quase sempre de médico. Não dá para fazer tudo o que eu quero. Para ver todas as pessoas que quero ver. Para comprar tudo o que quero comprar. Para comer tudo o que quero comer. Para apanhar todo o sol que quero apanhar. Para dar todos os beijinhos que quero dar às minhas sobrinhas. Mas dá sim para encher o coração.


E para fazer madeixas pela primeira vez na vida. Não se vêem bem na foto (talvez por ter suplicado 1748595 vezes à cabeleireira para não me deixar feita zebra), mas estão lá e a cor tem ficado mais aberta com a lavagem.


E para dormir sestas com este jeitoso.



E para visitar o Alentejo, meu amor.



E para visitar a Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz (linda).



E para passar uma noite n'A Serenada, em Grândola (vila morena).


 E para voltar ao Porto e rever amigas.


E para fazer uma amiga para o Verão, da Parfois.

E para comparecer à festa de aniversário da sobrinha mais nova.

E para encher a minha avó de beijinhos.

E para apanhar chuva mas também muitos raios de sol.

E para andar a namorar as coisas do Boticário mas não comprar nada (já é tradição, não sei porquê).

E para comer polvo e dourada e tripa de Aveiro e bolinhos de gema.

E deu quase para matar as saudades.


segunda-feira, 12 de março de 2018

Arranjar casa em Estocolmo - como é?


Pré-aviso: não quero desanimar ninguém mas ao mesmo tempo perguntam-me bastantes vezes se é fácil arranjar casa em Estocolmo e eu não vos vou mentir porque não quero que ninguém venha ao engano. Eu gosto muito de Estocolmo. É uma cidade muito bonita, tem os melhores transportes públicos do mundo e as condições de trabalho (na Suécia no geral) são do melhor. A Suécia é o país ideal para criar filhos, é o país ideal para quem gosta de decoração de interiores e minimalismo e roupa preta, para quem gosta de falar de exercício e de participar em corridas, para quem gosta de cerveja artesanal e de churrascos no parque, para quem gosta de fazer compras online, para quem gosta de celebrar o Festival da Canção (Melodifestivalen ou Mello para os amigos), para quem gosta de ir a concertos de pequenas bandas independentes, para quem gosta de bares hipster e de pubs irlandeses, para quem gosta de tatuagens e empresas de IT, para quem gosta de ver homens com cães pequeninos e a empurrar carrinhos de bebé com um latte take-away na mão, para vegetarianos, para quem gosta de comida internacional, de pizza de kebab e de massa com ketchup e até para quem gosta de andar na água, literalmente.

Eu a andar no lago gelado
Estocolmo tem as suas qualidades mas o mercado imobiliário não é uma delas e quem quiser dar o salto e mudar para cá deve vir prevenido. Começando pelo início:

É difícil encontrar casas e apartamentos de aluguer em Estocolmo. Tanto, que empresas como o Spotify ameaçaram o governo que se a situação não mudar, as instalações da empresa serão mudadas para outros países. Tudo porque os funcionários não encontram sítio onde morar. 

Há apartamentos para alugar mas a renda é muito cara. Fiz um estudo de mercado apenas para vocês e trago exemplos: a renda de um T0 de 23 m2 numa área boa mas não central (Sundbyberg, a 13 minutos de metro do T-Centralen) fica por volta dos 1 000 €. Por 550-600 € aluga-se um quarto na mesma área. Se for numa área mais popular, por exemplo Södermalm, a renda de um T0 pode ficar pelos 1 500 € e não é raro ver quartos a 800 €. Já numa cidade mais pequena como Eskilstuna encontram-se T2 por 850-900 €, o que é uma pechincha por comparação. Pormenor importante: por um motivo que desconheço, os Suecos "contam" a sala-de-estar como sendo um quarto. Por isso quando um Sueco vos diz que o apartamento tem "dois quartos", isso significa que o apartamento apenas tem um quarto de dormir. Se vos diz que tem "um quarto", significa que se trata de um T0.

E como se os preços não desanimassem o suficiente, muitos inquilinos requerem o pagamento de um depósito correspondente a um ou dois meses de renda e a maioria das ofertas de aluguer são a curto-prazo, ou seja, por um par de meses ou meio-ano enquanto o inquilino vai de viagem ou experimenta viver com o(a) namorado(a). Há um termo para isto: provbo med sambo. Como é tão difícil arranjar imóveis para alugar, muitas pessoas não se atrevem a abrir mão do seu imóvel e optam por alugar em segunda mão enquanto experimentam a vida a dois com o(a) amado(a). E depois há os loucos que andam por aí. Sem exageros - já vi um anúncio onde um casal procurava alugar um "quarto sem W.C. mas o ideal será alugar a uma pessoa que possa tomar duche no ginásio". E tenho uma amiga que foi burlada e pagou 1 500 € pelo depósito de um apartamento, que  nunca mais recuperou.

Pois. O melhor é mesmo investir e comprar, se houver capital. Em Estocolmo tem sido um negócio muitíssimo rentável, até recentemente porque os preços dos imóveis estagnaram e em alguns casos baixaram um pouco. Mas por lei 15% do valor da casa (o chamado kontantinsats) tem de ser pago a pronto, ou seja, sem recorrer a crédito. Digamos que encontras um T1 de 53 m2 numa área boa (Nacka) mas a certa distância do centro por 378 422 €. Terás de pagar 56 763 € a pronto, sem recorrer a crédito. 

Para pôr as coisas em perspectiva, uma pessoa que tenha um salário líquido não alto mas razoável de 2 300 € (cerca de 3 150 € brutos, dependendo do município de residência) e que consiga poupar 10 % do salário líquido por mês (230 € por mês) terá de poupar durante 247 meses, ou seja, durante quase 21 anos, para poder pagar o kontantinsats de um T1 em Nacka. Não está fácil.

Vendo pelo lado positivo: aqui os imóveis de aluguer vêm com electrodomésticos (frigorífico etc.), incluídos, e as casas costumam ser bem quentinhas, mesmo quando fazem -10 graus lá fora.

Links úteis:
Blocket para procurar imóveis para alugar (é o OLX Sueco)
Hemnet para procurar imóveis para comprar


segunda-feira, 5 de março de 2018

Fazendo de turista em Estocolmo


Fui dar um passeio e tomar um afternoon tea a Nynäshamn com um grupo de amigos e volto com fotos. Nynäshamn fica a 55 minutos de comboio do centro (T-Centralen) e é sobretudo conhecida porque é de lá que parte o ferry para Visby (na ilha Gotland), que é um destino de Verão muito querido para os Suecos. Mas para mim vale a pena fazer uma excursão de dia a Nynäshamn para quem quiser escapar da cidade e ver algo diferente, ou até passar lá uma noite no hotel-spa à beira-mar.

Praia nevada
Afternoon tea (e espumante) no restaurante Kroken 
Menção de honra para o W.C. que tem à disposição tampões, cotonetes e um belo poema sobre cocó #suequices


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Eu também aderi à tendência dos podcasts


Não sei como as coisas andam em Portugal, mas na Suécia os podcasts estão na moda. Eu demorei a aderir, mas agora sou fã. E já aprendi que pelos vistos 4 em 100 pessoas são psicopatas.

[Tenho 463 amigos no Facebook. É melhor nem começar a fazer contas...]

Mas tirando estas descobertas bizarras, gosto muito de ouvir podcasts. Eu demoro uma hora a chegar ao trabalho e por isso é muito bom passar o tempo a aprender coisas novas ou simplesmente a ouvir pods animados ou inspiradores. O meu episódio preferido até agora é este (no pod  "Art of Charm", que ouço na app Overcast), em que a autora fala de resiliência e das "vantagens" de uma infância difícil. 

E vocês, também ouvem podcasts? Quem tem dicas?

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Portugal calling


A ida a Portugal está a aproximar-se e eu já não penso noutra coisa.

Não sei se é de ser emigrante ou se é a idade a manifestar-se. Mas ao contrário das pessoas que me rodeiam eu neste momento não tenho desejo de visitar destinos exóticos. O pessoal fala da Austrália, da América do Sul, de Marrocos, da Tailândia etc. e eu não diria que não a nenhum desses destinos, mas a única coisa que realmente me apetece desde há uns meses atrás é pegar num carro e ir conhecer o meu próprio país. Especialmente o Alentejo, talvez por toda a minha família do lado materno ser alentejana. Por isso marquei uma estadia em Grândola durante a viagem. Numa quinta. Vou levar o namo a passear ao Sul, a explorar a costa alentejana pela primeira vez e a provar vinhos. Oh yeah.


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Coisas que mudaram desde que vim para a Suécia


A minha relação com a água
Os Suecos bebem água da torneira. Quase exclusivamente. Não há cá garrafões de água no supermercado. Se lhes perguntarem porquê, vão responder:
1. "A nossa água da torneira é de muito boa qualidade";
2. "Comprar garrafas de água é mau para o ambiente" (com razão).
Em dias de festa ou quando lhes apetece algo especial, compram água com gás. E há com imensos sabores. Limão. Maracujá. Pepino e menta. Mirtilo e framboesa. Morango e ananás. Gomas (true story). Chocolate.

Oremos.

Achei algures na net

Se eu bebia água da torneira antes de vir para a Suécia? Não.

Se eu gostava de água com gás antes de vir para a Suécia? Estranhava mas também não desgostava.

Se eu gosto de água com gás hoje em dia? Já não passo sem. Não há nada mais refrescante que água com gás com sabor a limão. Não é que eu precise de refrescar-me. Estão -2 graus lá fora.